Artes do Circo

PERIÓDICO

A criação do circo moderno

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Atribui-se ao suboficial da cavalaria inglesa, Philip Astley, a criação do circo moderno.

Desde 1758, na Inglaterra, já se organizavam espetáculos ao ar livre, com homens em pé sobre o dorso de um ou mais cavalos. A grande proeza de Astley foi apropriar-se dessa exibição e inseri-la em uma arena de 13 metros circunferência, em recinto fechado. O cavaleiro das forças Armadas inglesas poderiam apresentar-se em recinto fechado, para um publico amplo. O espetáculo da praça transferiu-se para o interior de uma sala e, com isso, foi possível a cobrança de ingresso.

De inicio, o espetáculo concebido por Astley comportava apenas apresentações com cavalos, em varias modalidades: volteios de cavalos livres, que obedeciam à voz de comendo de um treinador, executando evoluções, com ou sem obstáculo; cavalos montados por acrobatas que executam saltos, pirâmides e outras evoluções em seus dorsos; pantomimas envolvendo cenas militares; mimodramas com cavalos e cavaleiros, quase sempre aludindo aos grandes feitos da historia militar e outras demonstrações circunstanciais de destreza.

Antonio Franconi (1737-1836)

Franconi foi o primeiro grande empresário e diretor de circo. Ele conheceu Astley em paris. Em 1793, por causa da guerra entre França e Inglaterra, Astley voltou a Londres e cedeu o seu Anfiteatro inglês, construído em 1782, a Franconi. Astley retornou em 1802, apo a assinatura do tratado de paz entre os dois paises, e retomou sua casa de espetáculo.

Diferentemente dos espetáculos das férias ambulantes, os primeiros circos eram permanentes e se instalavam apenas nas grandes cidades. O espetáculo circense, em seus primórdios, não se destinava ao publico das ruas e praças, freqüentador das feiras e apreciador da cultura popular. Dirigia-se aos aristocratas e à crescente burguesia. A apresentação eqüestre que deu origem ao circo que se conhece nada tinha de popular. A aristocracia encontro, com o circo, um modo de tornar espetáculo o seu mais caro símbolo social, o cavalo. Em meio à onda revolucionaria, sob a forma de um empresário (distante, portanto, da espontaneidade predominante nos espetáculos das férias), o circo concentrava os ideais de uma classe que estava preste a perder seu lugar na dominação social. Urbana por excelência, em sua origem o circo veio a ser uma maneira de expandir o encanto pela equitação para o novo publico burguês.

O espetáculo do circo moderno, em sua origem, era integralmente concebido a partir do cavalo, o que motivou a expressão “circo de cavalinhos”. A exibição para uma platéia mais ampla de uma habilidade cujo gosto, até então, estivera restrito à aristocracia e aos militares resultou em um certo tédio. A quebra dessa monotonia se deu com a introdução de números de acrobacias, inicialmente, e de diversos outros, em seguida, todos eles oriundos das feiras ambulantes, inclusive o clown. Franconi introduziu no espetáculo de cavalos as habilidades atlético-acrobáticas, o adestramento de pássaros e pombos, o equilíbrio sobre cordas, além de ter sugerido, em 1807, na França, em plena época napoleônica, o termo “circo” para nomear esse novo tipo de espetáculo.

Do ponto de vista das alterações da ordem econômica dos espetáculos, deve-se salientar que as tradicionais feiras européias sofreram duros golpes com a chamada revolução comercial que tomou conta da Europa, no século XVIII. Aos poucos, as principais cidades trocaram as oficinas artesanais, de produção individualizada, por um processo padronizado, semimecanizado, para atender a um amplo leque de clientes. A alteração nos modos de produção e consumo ocorreu no interior de um amplo conjunto de mudanças econômicas, políticas, democráticas e de hábitos. As transformações na esfera produtiva provocaram mudanças nas praticas culturais populares. As feiras perderam, gradativamente, sua importância, tendendo ao desaparecimento. Esse esvaziamento colocou no desemprego um grande número de artistas ambulantes, saltimbancos, saltadores, acrobatas etc. Todavia, o esmorecimento das feiras e da cultura popular das praças e ruas proporcionou, na realidade, uma transformação até então inimaginável. A cultura popular adequou-se aos novos tempos, criando modelos novos de manifestação, comerciais por excelência. As formas espontâneas de entretenimento foram se organizando comercialmente, visando aos novos espectadores, alçados agora à condição de compradores de espetáculos e de diversão.

A atuação de Astley e Franconi deu-se a partir desse quadro político e econômico e saltadores, equilibristas, malabaristas, dançarinos de corda, engolidores de fogo, mágicos, domadores de feras, prestidigitadores etc. Passaram a fazer parte do espetáculo circense, além do clown, criado por Grimaldi, embrião a partir do qual se formarão os palhaços atuais.

Quando surgiu, o circo não teve como pressuposto o ritual religioso nem o propósito de sustentar a visibilidade de uma política estatal. O circo do final do século XVIII, que se firmou no XIX, se desenvolveu em meio à imperiosidade dos Estados nacionais, fortificados e amparados por um modo de produção econômica, até então desconhecido.

O circo também manifestava sua predileção pelo risco e pelo impossível, dando asas á imaginação, ignorando as barreiras entre o serio e o risível, entre o trágico e o cômico.
 

Compilação extraída do livro Os Palhaços de Mário Fernando Bolognesi

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