Observações históricas sobre o circo
No circo, nada é permanente. A mobilidade e a transformação se estendem a todos os seus domínios.
A bibliografia especializada aponta o inglês Philip Astley (1742-1814) como um dos fundadores do circo moderno.
Poder-se ia argumentar que as raízes do circo estariam postas no hipódromo e nas Olimpíadas da Grécia antiga. No primeiro, porque os conquistadores gregos expunham os resultados de uma façanha bélica, exibindo os adversários vencidos e escravizados. Além dessa exibição, os chefes dos exércitos traziam animais exóticos, muitos até então desconhecidos, como prova de bravura e testemunho das distancias percorridas e das terras conquistadas. As Olimpíadas, por sua vez, sob o signo do esporte, expunham os atletas em disputas acrobáticas, no solo, em corridas e saltos, ou em aparelhos que permitiam a evolução do corpo no ar, em barras e argolas.
Também é comum a associação da historia do circo com os jogos que se apresentavam nos anfiteatros, estádios e nos circos imperiais da Roma antiga.
No circo moderno há – poder-se dizer – uma retomada das proezas esportivas e a transformação delas em espetáculo. As aptidões circenses ganham um caráter espetacular porque nelas estão contidos os seguintes elementos: (a) a habilidades propriamente dita, quando o artista domina a acrobacia, o trapézio, o equilibrismo, os truques de magia e prestidigitação, o controle sobre feras etc.; (b) a indumentária, que completa visualmente o propósito maior do numero; (e) a narração do Mestre de pista, que se converte em ingrediente especial para a consecução do tempo dramático, enfatizando os momentos da apresentação, o seu desenvolvimento, o clímax e o conseqüente desfecho.
A conjugação da habilidade com a coreografia, a música, a indumentária e a narração é fator primordial para a eficácia cênica.
De acordo com Roland Auguet, somente o espetáculo circense combina e alterna emoções tão antagônicas como a gargalhada descompromissada e o receio aflito diante do possível fracasso do acrobata em seu salto-mortal.
Compilação extraída do livro Os Palhaços de Mário Fernando Bolognesi
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